segunda-feira, 24 de setembro de 2012

poema

Segue o poema de um amigo muito querido, o Caco:


Na vida, a questão sofrida
Em penas deleitam-se os sentidos;
Na morte, damos guarida
Aos sentimentos que preferimos.
Tudo é assim, dirão vocês.
Sim, diremos nós.
Ao amargo fim,
A Dor atroz.
Porém, da miséria nasce
O pranto de Luz que enobrece.
A Alma, que no céu renasce,
Projeta o caminho que entristece,
Sabedora de que no mar da vida
Somente a Dor esclarece
O porquê de cada ferida
Servir de momento de prece.
Na ponteira de nosso barco
Segue a figura que escolhemos
Loira deusa, negro monstro
Firme a recolher-nos
As causas que largamos
As luzes que apagamos
As dores que não consolamos
As penas que não coibimos
As lutas que fugimos
E as vitórias que não alcançamos..
Seguimos agora, Pai da Vida
Na tua senda serena
Plenos de Amor, de Vida
Certos que na Tua lida
Em Tua paz dormiremos
Quando ao fim de cada jornada
Trouxermos, em despedida,
A Tua coroa dourada
De espinhos, torta e dorida
Para nos adornar a fachada
Do Espírito em franca subida
E aos Teus pés depositarmos
Cada Esperança vivida..

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