Na
vida, a questão sofrida
Em
penas deleitam-se os sentidos;
Na
morte, damos guarida
Aos
sentimentos que preferimos.
Tudo
é assim, dirão vocês.
Sim,
diremos nós.
Ao
amargo fim,
A
Dor atroz.
Porém,
da miséria nasce
O
pranto de Luz que enobrece.
A
Alma, que no céu renasce,
Projeta
o caminho que entristece,
Sabedora
de que no mar da vida
Somente
a Dor esclarece
O
porquê de cada ferida
Servir
de momento de prece.
Na
ponteira de nosso barco
Segue
a figura que escolhemos
Loira
deusa, negro monstro
Firme
a recolher-nos
As
causas que largamos
As
luzes que apagamos
As
dores que não consolamos
As
penas que não coibimos
As
lutas que fugimos
E
as vitórias que não alcançamos..
Seguimos
agora, Pai da Vida
Na
tua senda serena
Plenos
de Amor, de Vida
Certos
que na Tua lida
Em
Tua paz dormiremos
Quando
ao fim de cada jornada
Trouxermos,
em despedida,
A
Tua coroa dourada
De
espinhos, torta e dorida
Para
nos adornar a fachada
Do
Espírito em franca subida
E
aos Teus pés depositarmos
Cada
Esperança vivida..
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